31 de jul de 2009

Ela chega em casa, depois da escola:
- Vovó, o Diogo deu!
- E o que o Diogo deu, Elis?
- O Diogo deu... a bala de goma.

Nem preciso dizer que faz 5 dias que chego em casa e pergunto "Elis, o que o Diogo te deu?".
Ontem, conversando com a Elis:
- Amorzinho, cadê as suas meias?
- Tá lá, mamãe.
- Lá onde, Elis?
- Tá lá dibáxo du fufá!

Juro que agora eu jogo tudo embaixo do sofá só pra ouvir de novo essa frase!

23 de jul de 2009

Eu na sala conversando com uma amiga. Ela entra, com um bolo de notas velhas ou de mentira, presas por um elástico: "tô rica!"
Ela chega do meu lado e solta um sonoro arroto. Eu, com aquela cara que só mãe sabe fazer. Ela olha bem fundo no meu olho, com aquela cara de sem vergonha, um risinho sarcástico e lança mão da pérola: ouôko meeeeu.

Como não rir?
Chego em casa um belo dia e meu pai: "que prima é essa da Elis que ela tanto fala?". Prima, pai?
"É, ela está o dia todo falando de uma tal bebé que é prima dela".

Quando ela não quer devolver uma coisa, ela abraça essa coisa e diz: é meu! E eu sempre repito a mesma coisa: é tudo meu, Bebel, minha pima, é tudo meu. Eis que a mocinha que acha que tudo é dela passa os dias repetindo: é meu! Bebé, pima, é meu!
Atlas-Dicionário Elis

Para que tudo fique muito claro e peculiar ao mundo de uma criança de 1 ano, primeiro vamos nos despir de pré conceitos bobos e entender o que ela diz e como o mundo dela funciona.

Doda - pensei que fosse "gorda", mas é doida
Auô - Alô, no telefone
Cuco - Suco
Aga - Água
Amaielo - Amarelo
Dede - Verde
Teli - mamãe (Kelly)
Taio - Caio, tio e padrinho
Taól - Carol, tia
Ua - Lua ou Rua, a gente tem que perceber
Titô - metrô
Itada - escada (geralmente escada rolante)
RuHigo - Papai (Rodrigo)
Besutau - beijotchau
Sásá - já já
Talima - tia Samira
Giada - gelada ou vovó (Geralda)
Pimpinha - limpinha
Sume - perfume
Teme - creme
Abaiá - Trabalhar
Touate - chocolate
Tá lá - qualquer coisa que esteja longe dela

Vou manter o dicionário atualizado, porque é impossível lembrar ou descrever tudo de uma só vez.
Contextualizando...

Ela tem um ano e nove meses. Cabelos loiros, olhos azuis e é a filha que toda mãe sempre quis ter. Porque ela não é só linda. Ela tem graça e ela faz graça. Libriana, super do bem. Aprendeu a falar antes de andar e isso já diz muita coisa. Aos nove meses de idade já tinha eleito o desenho peferido, Backyardigans, e o personagem preferido, o "Pabú". Nasceu de parto normal, às 40 semanas de uma gestação regada à chocolate e embalada pela voz de Jim Morrison - sim, ela adora! Por obra do destino, que insiste em colocar as mães-de-primeira-viagem-que-já-são-desesperadas-por-natureza à prova, ela ficou uma semana no U.T.I. Semi-intensiva do hospital. Alarme falso! Antes que ela completasse seis meses de idade, eu já era a "mama" mais realizada do mundo.Quando completou um ano e o médico olhou pra mim e disse "mãe, agora podemos liberar chocolate e danoninho", ela já havia devorado barras e ovos de páscoa. Foi quando decidi voltar a trabalhar e ela foi pra escolinha. Sim, meu coração doía em deixá-la lá, mas voltava a bater de novo quando ia buscá-la e ela começava a cantar e contar, na língua dela, o quanto havia se divertido. Hoje, prestes a completar dois anos, decidi colocar em prática uma idéia já antiga, latente desde a descoberta da gravidez: um diário que conte tudo, absolutamente tudo o que acontece com a minha pequena Elis. Porque o tempo é cretino quando se trata de boas recordações e nos faz esquecer as pequenas sutilezas e momentos de alegria que eu não quero, nunca, deixar de dividir com ela. Assim nasce o "Coisa de criança".