10 de nov de 2009

Passamos o fim de semana na praia, Elis e eu. Entre bincadeiras na areia e pular ondinhas ela fez amizade com o "Bigode", o moço que vende milho com o carrinho. Sim, ela é comunicativa. Uma graça.

Comendo o milho que "o tio Bigode deu", a Elis derrubou na areia alguns grãos. Lógico que tentou pegar de volta e colocar na boca - elae tem dois anos, minha gente! Eu não deixei, disse que era "caca" e pedi que jogasse fora. Ela, com um grãozinho minúsculo na mão:

- Pode jogar, mamãe?
- Pode, Elis.
- E a colher, pode jogar?
- Não. A colher você vai usar pra comer o restante do milho.
- E o "patinho" pode jogar?
- Não. O prato ainda tem milho e você vai querer comer.
- E a mamãe, pode jogar?

*_*

5 de nov de 2009

Hoje cedo, enquanto eu tomava banho, a Elis, como sempre, sentada na privada, cantando. (Confesso, é a melhor trilha sonora do mundo e também a melhor maneira de começar bem o dia).
Aí ela me disse que tinha um mosquito ali.
- Mata ele, mamãe.
- Não, Elis. Tadinho, deixa ele aí que daqui a pouco ele voa pela janela.
- Não, mata ele. Agola.
- Por quê eu vou matar o mosquito?
- Ah, ele tá demais!
A nova da Elis: primeiro ela pede pra passar a manteiga na bolacha. Aí esfrega a bolacha na cara e, toda lambuzada, lança essa:
- Olha, mamãe, to fazendo a bábala, igual ao vovô.
Ontem ensinei a Elis a molhar a bolacha no café. Hoje ela tomou café na xícara, sozinha, segurando pela asa e com pose de lady. Imagina quando eu ensinar a usar os talheres...

20 de out de 2009

Domingo à tarde. Dia de GP em Interlagos. Meu irmão entra em casa e pergunta:
- E aí pai, o Rubinho ganhou ou perdeu?
No que meu pai:
- Perdeu, né.
E a Elis, que brincava na sala, prontamente emendou?
- Pedeu, êeeee Rubinho!

24 de ago de 2009

E eu chego em casa e a surpreendo dançando, em frente à tv. Só que ela estava dançando "Should I Stay Or Should I Go". Aí eu penso: acertei! Melhor... ela canta!!!! Sim, ela dança E canta o clássico do The Clash. Ôloko!
No meio do fim de semana, brincando de esconde, ela me chama:
- Mamãeeeeeeeeeeeee.... Manhêeeeeeeeeeeeeee
- Oi, amorzinho.
- Quelo você, mamãe!

Chorei. Não tem o que dizer.

6 de ago de 2009

Um belo dia meu pitokinho olha pra mim e diz "doda". E eu, prontamente respondo. "Aaaaaa, amorzinho, sacanagem dizer que a mamãe tá gorda". E penso, até tu, Brutos?

Eis que outro belo dia, com a família toda reunida na sala, meu irmão olha e diz "Elis, sua maluca!", de propósito, provocando. E ela, rapidamente: "doda". E eles começam um interminável diálogo regado às risadas mais maravilhosas de ouvir no mundo... as dela, lógico:
ele - Maluca
ela - Doda
(repete várias vezes)

E eu descobri que aquilo era uma piada interna dos dois e que ela aprendeu que o sinônimo de maluca é, na verdade, doida!

31 de jul de 2009

Ela chega em casa, depois da escola:
- Vovó, o Diogo deu!
- E o que o Diogo deu, Elis?
- O Diogo deu... a bala de goma.

Nem preciso dizer que faz 5 dias que chego em casa e pergunto "Elis, o que o Diogo te deu?".
Ontem, conversando com a Elis:
- Amorzinho, cadê as suas meias?
- Tá lá, mamãe.
- Lá onde, Elis?
- Tá lá dibáxo du fufá!

Juro que agora eu jogo tudo embaixo do sofá só pra ouvir de novo essa frase!

23 de jul de 2009

Eu na sala conversando com uma amiga. Ela entra, com um bolo de notas velhas ou de mentira, presas por um elástico: "tô rica!"
Ela chega do meu lado e solta um sonoro arroto. Eu, com aquela cara que só mãe sabe fazer. Ela olha bem fundo no meu olho, com aquela cara de sem vergonha, um risinho sarcástico e lança mão da pérola: ouôko meeeeu.

Como não rir?
Chego em casa um belo dia e meu pai: "que prima é essa da Elis que ela tanto fala?". Prima, pai?
"É, ela está o dia todo falando de uma tal bebé que é prima dela".

Quando ela não quer devolver uma coisa, ela abraça essa coisa e diz: é meu! E eu sempre repito a mesma coisa: é tudo meu, Bebel, minha pima, é tudo meu. Eis que a mocinha que acha que tudo é dela passa os dias repetindo: é meu! Bebé, pima, é meu!
Atlas-Dicionário Elis

Para que tudo fique muito claro e peculiar ao mundo de uma criança de 1 ano, primeiro vamos nos despir de pré conceitos bobos e entender o que ela diz e como o mundo dela funciona.

Doda - pensei que fosse "gorda", mas é doida
Auô - Alô, no telefone
Cuco - Suco
Aga - Água
Amaielo - Amarelo
Dede - Verde
Teli - mamãe (Kelly)
Taio - Caio, tio e padrinho
Taól - Carol, tia
Ua - Lua ou Rua, a gente tem que perceber
Titô - metrô
Itada - escada (geralmente escada rolante)
RuHigo - Papai (Rodrigo)
Besutau - beijotchau
Sásá - já já
Talima - tia Samira
Giada - gelada ou vovó (Geralda)
Pimpinha - limpinha
Sume - perfume
Teme - creme
Abaiá - Trabalhar
Touate - chocolate
Tá lá - qualquer coisa que esteja longe dela

Vou manter o dicionário atualizado, porque é impossível lembrar ou descrever tudo de uma só vez.
Contextualizando...

Ela tem um ano e nove meses. Cabelos loiros, olhos azuis e é a filha que toda mãe sempre quis ter. Porque ela não é só linda. Ela tem graça e ela faz graça. Libriana, super do bem. Aprendeu a falar antes de andar e isso já diz muita coisa. Aos nove meses de idade já tinha eleito o desenho peferido, Backyardigans, e o personagem preferido, o "Pabú". Nasceu de parto normal, às 40 semanas de uma gestação regada à chocolate e embalada pela voz de Jim Morrison - sim, ela adora! Por obra do destino, que insiste em colocar as mães-de-primeira-viagem-que-já-são-desesperadas-por-natureza à prova, ela ficou uma semana no U.T.I. Semi-intensiva do hospital. Alarme falso! Antes que ela completasse seis meses de idade, eu já era a "mama" mais realizada do mundo.Quando completou um ano e o médico olhou pra mim e disse "mãe, agora podemos liberar chocolate e danoninho", ela já havia devorado barras e ovos de páscoa. Foi quando decidi voltar a trabalhar e ela foi pra escolinha. Sim, meu coração doía em deixá-la lá, mas voltava a bater de novo quando ia buscá-la e ela começava a cantar e contar, na língua dela, o quanto havia se divertido. Hoje, prestes a completar dois anos, decidi colocar em prática uma idéia já antiga, latente desde a descoberta da gravidez: um diário que conte tudo, absolutamente tudo o que acontece com a minha pequena Elis. Porque o tempo é cretino quando se trata de boas recordações e nos faz esquecer as pequenas sutilezas e momentos de alegria que eu não quero, nunca, deixar de dividir com ela. Assim nasce o "Coisa de criança".